E lá se foi o Wesley Duke Lee
Pois é, ainda não chegou a vez de escrever sobre a magnífica cidade de Blumenau a quem devo uma sincera homenagem.
Hoje sou obrigada a registrar o falecimento de um grande artista, o Wesley Duke Lee, que faleceu na semana passada, se não me engano na mesma data em que morreu o Fausto Wolff, outra incrível personalidade.
Conheci, pessoalmente, o Wesley quando morei na cidade de São Paulo, na década de setenta. Eu o vi pintando, recebendo os amigos na casa em que morava em Santo Amaro, que tinha a aparência de um loft gigantesco. Pé direito altíssimo e as paredes repletas de quadros arrebatadores de sua autoria. O Wesley era fora de série, muito engraçado, divertido, mas às vezes meio difícil de conviver. Talvez porque naquela época não estivesse à altura de sua amizade, mas onde quer que ele se encontre, espero que saiba que o admiro muito como ser humano.
Ontem me lembrei dele ao assistir a um concerto no Municipal, com um conjunto de jazz de New Orleans. Era a música que o Wesley apreciava: cerebral por momentos, mas de repente com enorme calor humano.
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Apregoar Privilégios do Servidor Público é desconhecer a Lei
Desde a época do governo Collor, que fez da caça aos marajás o mote de sua campanha política, volta e meia grande parte da imprensa tem retratado o servidor público quase como se fosse um vilão não merecedor do salário que ganha e das garantias que cercam o exercício de suas funções.
Poucos são os jornais e os jornalistas preocupados em divulgar para os leitores a realidade sobre o serviço público e o funcionalismo, sob a ótica de uma visão crítica baseada em fatos reais. De uma maneira geral, a imprensa procura desmerecer o funcionário público, entre outros motivos com a finalidade de influenciar o leitor a não votar num candidato a presidente, porque o candidato em questão continuaria a favorecer o servidor público em detrimento dos demais trabalhadores.
Só que os dados comumente divulgados não traduzem a realidade, e sim opiniões inconsistentes de alguns economistas, como um que disse que no setor público uma função deveria ser ajustada para ganhar um pouquinho abaixo do equivalente no setor privado”, porque no setor público não há tanta incerteza de dispensa.
É inusitado que economistas efetuem comparações sobre salários entre o setor público e o privado, sem ser com base nas carreiras, nas profissões e nas funções desempenhadas em ambos os setores, preferindo utilizar critérios como a possibilidade maior ou menor de demissão. As empresas não fixam parâmetros salariais a partir do índice de rotatividade.
O preconceito contra o servidor público permeia as observações irrefletidas de diversos repórteres e colunistas, que apresentam o funcionário do governo como “uma elite no mundo dos trabalhadores” por contar com estabilidade e aposentadoria em condições especiais. Alguns soltam o verbo, para criticar o sistema previdenciário injusto dos servidores, a falta de competitividade, de desafios para a progressão no trabalho e outros defeitos.
Antes de rebater as opiniões acima descritas, é preciso registrar um erro encontrado com freqüência, nas análises que tem sido feitas a respeito do serviço público. O erro consiste em se comparar realidades desiguais por sua própria natureza. Por natureza, o serviço público não tem o lucro como razão própria de sua existência, enquanto que a iniciativa privada precisa do lucro para sobreviver, pois, caso contrário, ela entra em colapso e se extingue.
Sendo assim, critérios como competitividade e desafios são próprios de quem persegue o lucro como fim necessário, porém o serviço público não tem por fim o lucro, e sim servir à coletividade. Portanto, seus critérios são outros. Quanto ao critério da progressão, não se pode esquecer que foi durante o governo do antecessor de Lula que ela acabou, pois foi nessa época que o Adicional de Tempo de Serviço do servidor público federal foi revogado, assim como o direito de ele optar por receber em dinheiro um terço de suas férias, vantagem esta que continua sendo assegurada ao trabalhador da iniciativa privada.
Com a eliminação do Adicional de Tempo de Serviço surgiu a distorção que praticamente iguala quem está no início de uma carreira do serviço público com quem está no final. Em tais casos, realmente há situações em que os cargos públicos são mais bem remunerados, porém nos cargos finais a vantagem pesa em favor dos cargos da iniciativa privada.
Apregoa-se a estabilidade e o regime de previdência do servidor público como privilégios não acessíveis ao trabalhador da iniciativa privada, buscando-se jogar os trabalhadores de um setor da sociedade contra os outros, e angariar as simpatias daqueles que se deixam influenciar contra quem procura valorizar o servidor público. Todavia, a valorização do trabalhador, seja do setor público ou do setor privado deveria ser a preocupação de qualquer político ou governante.
A estabilidade não é privilégio individual do funcionário, e sim da função que ele exerce, que não pode ficar à mercê de interesses alheios ao serviço público.
Por outro lado, quando se vende a idéia da estabilidade como vantagem, ninguém lembra que, se o servidor público for demitido voluntária ou involuntariamente, ou se aposentar, ele sai do serviço público com uma mão na frente e outra atrás, diferentemente do que ocorre com o trabalhador da iniciativa privada que pode levantar o saldo da conta vinculada ao FGTS, além de outros benefícios negociados com a empresa, ou seja, os anos trabalhados lhe rendem patrimônio, enquanto que os anos no serviço público não rendem nada ao servidor demitido ou aposentado.
Ora, se os anos trabalhados não favorecem a acumulação de patrimônio nada mais justo que o servidor tenha uma aposentadoria digna e compatível com a função por ele exercida, inclusive porque paga contribuição maior para se aposentar do que o trabalhador da iniciativa privada, ou seja, 11% sobre a remuneração bruta.
Como se não bastasse, após a reforma previdenciária introduzida pela Emenda Constitucional nº 41, de 2003, os servidores aposentados passaram a contribuir também para a previdência, mesmo que não tenham voltado a trabalhar, e a aposentadoria integral, tão apregoada como privilégio, foi revogada, só valendo para aqueles que ingressaram no serviço público até 2003 e sob determinadas condições.
Por conseguinte, as vantagens do funcionalismo só existem mesmo na mente daqueles que desconhecem a lei, que batem nessa tecla para intimidar governantes e indispor o leitor contra os servidores, como estratégia eleitoral perversa.
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Há pessoas que se valem do humor para ofender as outras
Estou em dívida com este blog e me culpo por não conseguir atualizá-lo como queria. Faz tempo que pretendia contar sobre os últimos dias da fabulosa viagem à Santa Catarina, escrevendo sobre Blumenau e Pomerode, cidades que me cativaram por completo.
E ainda falta botar as fotos que tirei em Blumenau e Pomerode aqui no blog e em outros espaços na Internet, sob a forma de álbum virtual.
Mas hoje tive que escrever sobre uma crônica que li no Globo de sábado, dia 4, sobre o baranguismo. Da mesma maneira que o autor se chocou com uma mulher que foi indelicada, não agradecendo seu gesto de gentileza num restaurante, também fiquei com a indelicadeza dele ao rotular Serra, Marina e Dilma de baranga como fecho da crônica.
Deu para perceber que as personagens visadas eram mais Dilma e Marina. Serra foi colocado no balaio como meio para atingir as duas e demonstrar uma neutralidade artificial.
Seja como for, achei deplorável a atitude do cronista.
Há uma diferença entre humor e ofensa. O humor, ainda que realçando aspectos grotescos da realidade, é sutil e provoca sorrisos até em quem é objeto de gozação, enquanto que a ofensa, disfarçada de humor, aborrece mesmo aqueles que não foram alvo de chacota, pois sentem a agressividade latente contra o ser humano dissimulada sob a brincadeira grosseira.
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