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  •     06 / 03    
  •     2010    

Sonhar não custa nada, até com Gerard Butler

Publicado em: Joinville
Escrito às 18:02 | Link Permanente

Talvez seja lugar comum dizer que os sonhos e pesadelos traduzem numa linguagem meio cifrada as movimentações de nosso inconsciente. Talvez sejam também arautos do passado e de um futuro que ainda não se concretizou. São meras especulações que cada um interpreta do jeito que quiser.

Hoje comecei com um pesadelo. Alguém tinha invadido a minha casa e queria me abater. Lutava para me desvencilhar do invasor e meus esforços se mostravam inúteis. Depois de muita agonia a final consegui expulsar o malfeitor. Acordei sobressaltada, com medo de dormir de novo e o pesadelo continuar, mas como ainda era cedo, madrugada, fui me entregando ao sono.

Dei sorte, porque desta vez adormecer valeu a pena.

Sonhei que o Gerard Butler estava caidinho por mim

Se ainda fosse há trinta anos atrás, não seria nenhum absurdo, porque, modéstia à parte, fui muito bonita na mocidade. Ainda tenho uma aparência agradável, mas não sou páreo para competir com as moças lindas e saradas que cruzaram o caminho do astro durante sua estadia no Rio de Janeiro. Todavia, como no sonho nada é impossível, quem tinha conquistado o coração do lindo era euzinha.

Fui esperar o Gerard Butler, que vinha de Los Angeles, no aeroporto do Galeão. Ele viajava incógnito para despistar a imprensa e poder curtir o romance comigo, sem ser perturbado por câmeras indiscretas. Nosso caso prometia ser tórrido. Ele desembarcou e, mal me viu, foi logo me beijando na frente da multidão. Senti-me como a rainha da cocada preta, toda poderosa com o Gerard Butler a tiracolo.

Uma limusine o aguardava. Gente famosa é outra coisa, não é forçada a esperar condução na fila de táxi. Precisavam ver o interior do carrão, bem clima Hollywood com champagne e taças finas de cristal.

Quem bebeu champagne fui eu, porque o Gerard, no sonho, seguia um estilo povão e engoliu cerveja do gargalo, gesto que me desapontou um pouco. Pelos padrões brasileiros, é muito vulgar. No entanto, vindo do Gerard Butler, até aceitei a falta de modos.

Surpresa

O lindo me contou que havia comprado uma cobertura no Leblon e queria inaugurá-la comigo, vejam só o meu cartaz.

Mas chegando no prédio, outra decepção, porque a cobertura se achava em obras e sem condições de nos alojar. Ele, louco de desejo e eu, mal me segurando, tivemos que sair à procura de outro pouso para extravasar nossas emoções.

Não sei explicar direito o motivo, porque no sonho os acontecimentos tomam um ritmo diferente, mas saímos em veículos diferentes. Fui em companhia de um sujeito desconhecido, bancando o motorista, e de uma garota, que se fingia de boazinha prestativa, mas que se provou uma verdadeira amiga da onça.

O carro em que me encontrava seguia atrás da limusine do Gerard. Embora lamentasse não estar perto dele, por enquanto não me preocupava, calculando que em breve nos reuniríamos. Só que num dado momento perdemos a limusine do Gerard de vista, porque um carro se colocou na nossa dianteira. Insisti com o motorista para avançar, com receio que nos desviássemos da limusine, mas foi em vão. Ele fingia não me escutar.

O resultado é que nos perdemos em definitivo do Gerard. Céus, que desespero senti! Quase abocanhando aquele pão suculento e, no último momento, o destino ou a gente do mal me tirando a iguaria. Não era justo. Sujeira. Será que nem no sonho eu podia ser feliz?

A garota, que se fingia de boazinha, tentava me acalmar, falando que o motorista sabia para onde haviam levado o Gérard, mas já principiava a desconfiar dela e do camarada.

A desconfiança aumentou, quando ele tomou a direção de uma favela

e parou num boteco na subida do morro. Disse que precisava dar um recado para Fulano e, simplesmente, sumiu.

Aconselhada pela garota, saltei do carro e ocupamos uma das mesas do boteco. Era um lugar fedido. A garota pediu uma cerveja para nós duas e, ao levantar o copo para brindar, falou com um sorriso debochado:

PERDEU !


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