Soledad no Recife me prendeu

Homem da Meia Noite
Recebi o livro do ilustre pernambucano Uraniano Mota e o devorei em três dias. Há muito tempo uma obra não me prendia tanto. Consegui me sentir na pele do observador que ama platonicamente, digamos assim, a Soledad, jovem paraguaia engajada na vanguarda revolucionária.
A Soledad teve a falta de sorte de se tornar a companheira do cabo Anselmo. Digo falta de sorte, porque ela morreu, tendo sido trucidada pelo grupo do delegado Sergio Paranhos Fleury, ciente que havia sido traída pelo homem com quem conviveu e de quem estava grávida.
Não existe situação mais terrível para uma mulher sensível e íntegra como era a Soledad. Assim a vi, descrita pelas palavras musicais do Uraniano. O Uraniano escreve como se estivesse fazendo música, pelo menos, é assim que vivenciei a leitura de Soledad no Recife.
O cabo Anselmo, com quem a Soledad viveu no Recife, havia se tornado informante do famigerado Delegado Fleury e foi graças às informações que ele transmitiu ao delegado, que se armou a emboscada contra Soledad e seus outros companheiros.
Esse delegado Fleury é uma figura que me causa arrepios. Quando Getúlio Vargas, em sua carta-testamento e Janio Quadros, ao se despedir da presidência, falaram em forças terríveis, inconscientemente ou não, estavam se referindo a forças do mal e o Fleury, enquanto vivo, foi a personificação dessas forças.
Li também o livro do jornalista Percival de Souza que, aliás, publicou uma autobiografia do Fleury (“Autópsia do Medo”), sobre o cabo Anselmo. O Percival de Souza tenta redimir o cabo Anselmo, mostrando-o mais ou menos como vítima das circunstâncias, a fim de amenizar o rótulo de delator, ou Judas.
A impressão que um leitor distante como eu tem é que o Cabo Anselmo deve ter sofrido uma lavagem cerebral qualquer, na época em que esteve sob o domínio do famigerado Fleury. É possível que esse homem tão perverso tenha submetido o Cabo Anselmo a uma espécie de lobotomia, retirando dele o senso ético interior que o filósofo Immanuel Kant denominou “O Imperativo Categórico”, expresso na seguinte frase:
“AJA APENAS SEGUNDO A MÁXIMA QUE VOCÊ GOSTARIA DE VER TRANSFORMADA EM LEI UNIVERSAL”.
Traduzindo o princípio kantiano em palavras mais simples, significa que você só deve fazer aos outros o que gostaria que fizessem a você.
Kant não concordava com a doutrina do utilitarismo tão em voga hoje em dia e tão apregoada por extremistas de qualquer facção, segundo a qual, os fins justificam os meios.
Posso estar errada, mas penso que o Cabo Anselmo merece o benefício da dúvida. Se ele estivesse no seu juízo perfeito, se não tivesse sido lobotomizado pelo Fleury, cujos métodos são por demais conhecidos, creio que não teria entregado Soledad nas mãos do inimigo.
Essa impressão de que o cabo Anselmo foi lobotomizado me vem muito do livro do Uraniano Mota, no trecho em que ele compara sua fisionomia com a do homem da Meia Noite, que é um boneco gigantesco do Carnaval do Recife, cujos olhos lembram dois buracos sem vida, semelhantes aos olhos dos lobotomizados. Quem viu os filmes “Frances”, com a grande atriz Jessica Lange, e “Um Estranho no Ninho”, com o formidável Jack Nicholson saberá logo do que estou falando.
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Um Giro pela Casa Cor
No domingo passado fui visitar a Casa Cor e um dos ambientes que gostei mais foi da arquiteta Ana Lúcia Jucá. Outro ambiente muito bem bolado é o apresentado pela dupla de arquitetos, Andrea Duarte e Guilherme Osborne.
Eis uma visualização dos ambientes criados pelos arquitetos acima mencionados:
A exposição neste ano foi instalada no Jóquei Clube, para mim, um pouco fora de mão, uma vez que moro no Flamengo. Notei que em vários ambientes os arquitetos montaram lofts, estilo de moradia importado dos Estados Unidos que tem feito sucesso por aqui. O problema é que os lofts só podem ser comprados por quem tem muita bala na agulha. Posso estar enganada, mas o pessoal de classe média, que talvez gostasse de comprar um loft, não teria condições financeiras para tanto.
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Sem Luz em Casa, Fui ao Cinema
Hoje cedo o porteiro do prédio telefonou, para avisar que faltaria luz das duas às cinco horas da tarde. A explicação dada foi que a Light viria trocar o relógio do prédio.
A falta de luz não veio em boa hora.
Meu plano era ficar em casa,
para botar a leitura e o meu outro site em dia,
curtindo a chuva caindo do lado de fora.
Sem eletricidade, ao invés de curtir, teria que enfrentar a chuva, batendo perna na rua, porque ficar em casa sem luz, sem poder ouvir música e sem claridade suficiente para ler e escrever, seria muito enfadonho.
Resolvi ir ao cinema. Comprei as entradas na Internet, na Ingresso Com e fui assistir “A VERDADE NUA E CRUA” com Gérard Butler, cujo visual me encanta, e SALVE GERAL, um filme que estava louca para ver. Matei três coelhos com uma cajadada só: não senti os dissabores da falta de luz e vi dois filmes que me distraíram; o primeiro, uma comédia bobinha sobre o romance entre um machão e uma feminista, e o segundo, um filme mais sério sobre episódios ocorridos em São Paulo que espalharam pânico no resto do país.
SALVE GERAL mostra parte do inferno que é vivido nas cadeias brasileiras, verdadeiros depósitos de criminosos; o mais certo seria dizer verdadeiras universidades do crime, porque só servem mesmo para fazer com que o indivíduo tenha bastante raiva da sociedade e saia da prisão ansioso para ir à forra. E o governo, de um modo geral, segue sendo irresponsável e tratando seres humanos como se fossem animais.
Não estou aqui para fazer apologia dos bandidos, mas, como conheço bem o sistema carcerário, posso afirmar que quem é jogado numa cadeia brasileira, sai de lá disposto a tudo. Já era tempo dos governos procurarem outras soluções.
Vale a pena assistir SALVE GERAL, um filme emocionante do diretor Sérgio Rezende
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Soledad no Recife
Sou apaixonada por autores brasileiros. Vivo fuçando livrarias à sua procura e, infelizmente, deparo-me na maioria das vezes com pilhas de autores estrangeiros totalmente desinteressantes. Já era tempo de o governo estimular mais a literatura – porque o hábito de ler é um dos mais divertidos e instigantes que existe – e principalmente a literatura nacional.
O cinema brasileiro só foi para a frente e adquiriu a qualidade que tem agora, graças aos incentivos e ao apoio do governo. Uma medida sábia seria os legisladores obrigarem as editoras a publicar, pelo menos, um número razoável de autores nacionais, ao invés de só investirem em autores estrangeiros, em detrimento dos autores nacionais.
Mais uma vez no Caderno Prosa e Verso do jornal O Globo, edição de 03/10/2009, li sobre a publicação de um romance de Uraniano Mota, pela editora Boitempo Editorial. O título da obra é “Soledad no Recife” e gira em torno da personalidade de Soledad Barret Viedma, uma guerrilheira paraguaia que teria sido delatada pelo seu companheiro José Anselmo dos Santos, o tal de Cabo Anselmo, e terminou sendo assassinada pela ditadura. O detalhe mais trágico é que a moça estava grávida.
Não conheço o autor Uraniano Mota, mas seguramente irei comprar e ler o seu livro.
Vale a pena visitar o blog de Uraniano.
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Os Blogueiros de Cuba
O Caderno PROSA & VERSO do jornal O GLOBO traz uma reportagem interessante sobre blogueiros residentes em Cuba. Entre estes destaca-se a figura já conhecida de Yoani Sanches.
Em Cuba ela sempre se conecta em locais públicos, duas ou três vezes por semana por causa do preço. Isso a obriga a escrever as mensagens em casa, gravá-las num pendrive e, depois, publicá-las.
O blog de Yoani pode ser acessado em “Generación Y”. O blog de Yoani foi publicado através da editora Contexto sob o título “De Cuba com Carinho”.
Há outros sites interessantes sobre os blogueiros de Cuba, inclusive um portal criado pela própria Yoani denominada “Voces Cubanas”.
Yoani destaca os seguintes blogs de personalidades do seu país: Claudia Cadelo e do fotógrafo anônimo que publica imagens em preto e branco do cotidiano da ilha: Anônimo.
Escrever blogs em Cuba deve ser uma empreitada difícil, porque os computadores particulares não têm acesso à grande rede.
Como sou viciada em livros, obviamente vou comprar o de Yaonai e mais outros.
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O Pau de Arara Aéreo
O meu amigo José Cassiano neste domingo me falou sobre a última viagem do pau-de-arara. Para quem não sabe, esse nome era dado aos caminhões que transportavam pessoas das regiões mais remotas do Nordeste para as grandes capitais, Rio de Janeiro e São Paulo. O nome pau de arara pegou também naqueles que vinham da Paraíba, de Pernambuco, do Ceará e de outros lugares da região.A viagem era desconfortável, porque os nordestinos viajavam amontoados por estradas, na maioria das vezes, em precárias condições, mas, pelo menos, o caminhão parava em botecos e postos ao longo do caminho. Os viajantes podiam descer do caminhão para ir ao banheiro, beber uma cachacinha, comprar comida, ou fazer uma refeição.

Pois bem, o meu amigo José Cassiano transportou-se a um pau de arara, quando viajou na semana passada, de João Pessoa ao Rio de Janeiro, pela Gol no vôo 1793. O desconforto das instalações era muito pior.. O passageiro viaja entalado que nem sardinha, porque as poltronas são apertadíssimas e próximas demais uma da outra. O passageiro sofre, mas a Gol lucra, vendendo mais assentos. Se ele sofrer uma trombose provocada pela impossibilidade de esticar as pernas no assento, provavelmente a empresa não vai arcar com a despesa. Isso é contabilizado como fatalidade e azar do consumidor.
Mas o desconforto não se resume ao assento apertado. Para falar a verdade, disse meu amigo, a viagem de pau-de-arara era mais cômoda do que a viagem aérea pela Gol. O pau-de-arara parava para todos irem ao banheiro, enquanto que a Gol só coloca dois banheiros à disposição dos passageiros. O pior é que, no vôo em que veio meu amigo, um dos banheiros não havia sido higienizado na última escala. Então todos os passageiros só contavam com um único banheiro na parte dos fundos da aeronave. O resultado é que se formou uma fila colossal durante o trajeto inteiro. A sorte é que não houve turbulência, porque senão muita gente teria se machucado.
Meu amigo Cassiano concluiu que quem viaja de pau-de-arara leva vantagem sobre quem viaja pela Gol, pois pode ir ao banheiro, sem atropelo e sem ansiedade e ainda por cima tem direito a forrar o estomago, nas vendas e nos botecos ao longo da estrada, ao passo que o passageiro da Gol só tem direito a uma bolacha salgada e a um copo d´água e olhe lá.
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E viva o Rio de Janeiro e viva os Baianos
Fiquei feliz pelo Rio de Janeiro ter sido escolhido como a cidade que irá sediar os Jogos Olímpicos de 2.016. Há muito que os brasileiros vinham sonhando com essa possibilidade, mas ela nunca se concretizava. Agora aconteceu e só espero que as autoridades façam por onde, tomando conta dessa linda cidade e cuidando mais dela. É um pecado deixar o Rio de Janeiro se deteriorar.
Vão ter que investir mais no Galeão
e acabar com a mania de
desviar tudo quanto é vôo internacional para São Paulo.
Aí em baixo uma fotocomposição das figuras de dois baianos famosos: Maria Betânia e João Ubaldo Ribeiro, tendo o Pelourinho como fundo. O João Ubaldo está lançando mais um romance O ALBATROZ AZUL. Gostei da entrevista que ele deu para a revista Bravo, principalmente quando critica a pretensão de certos cientistas de refutar o divino. João Ubaldo diz, com muito acerto, que do mesmo modo que ninguém pode provar a existência de Deus, tampouco se pode “desprovar”, recusando a chancela de verdade a tudo o que não pode ser submetido a verificação científica.
É um raciocínio muito limitativo negar a existência de Deus, tira-nos toda a liberdade de desenvolver a imaginação e os poderes de criação. Aquilo que você pensa é aquilo que você construirá para o futuro. Se você prefere não pensar nada, então o nada você terá.

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