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  •     26 / 09    
  •     2009    

Chega de falar que não houve golpe em Honduras

Publicado em: Mídia
Escrito às 16:02 | Link Permanente

Vejam a diferença no tratamento da mesma matéria pelo jornais VALOR ECONÔMICO e O GLOBO e tirem suas próprias conclusões.

O jornal VALOR ECONÔMICO  não é a favor de Zelaya, inclusive assinalou que o presidente deposto está tentando jogar todas as cartas para voltar ao poder, mas, pelo menos, trata a questão com o respeito que ela merece. Abaixo, segue trecho de artigo publicado sobre o tema, na data de 25/09/2009, para que se tenha uma idéia do que está em jogo:

“O governo Lula agiu corretamente até agora no caso. Manuel Zelaya foi arrancado à força de seu país na madrugada de 28 de junho. Não houve o devido processo constitucional para retirá-lo do poder e todos os princípios democráticos ruíram quando Roberto Micheletti assumiu a presidência. Houve condenação geral ao golpe, inclusive dos Estados Unidos. Toda a pressão brasileira se encaminhou pelos canais diplomáticos, com o apoio restrito ao acordo de São José, que pressupunha a volta de Zelaya ao poder, um governo de coalizão e uma anistia a todos os envolvidos. Coerentemente, o Brasil não poderia ter se recusado a dar guarida a Zelaya, um presidente legítimo que teve de entrar clandestinamente em seu próprio país.”

Quanto ao Sr. Merval Pereira, colunista do GLOBO, vejam como ele retrata a realidade dos fatos, na data de hoje, 26/09/2009. É só conferir em sua coluna:

Parece estar havendo um consenso sobre o episódio entre os especialistas: o processo de deposição de Zelaya obedeceu aos princípios constitucionais, o que não aconteceu no caso do exílio”.

Para emitir essa opinião, o colunista valeu-se unicamente de estudo do advogado paulista Lionel Zaclis no site Consultor Jurídico, que conclui que não houve golpe em Honduras, com base no artigo 237 da Constituição.

Esquece-se o Sr. Merval Pereira, que a opinião do advogado paulista é uma opinião isolada, que se fundamenta num único dispositivo da constituição hondurenha, desconsiderando que ela proclama, como valor máximo em seu artigo 2º, a soberania popular que é exercida através de plebiscito e referendo.

Recomendo uma leitura da Revista Carta Capital  desta semana, que no artigo “A Democracia Sitiada” faz uma excelente análise da situação em Honduras. Achei formidável o fato de terem lembrado a frase de Marco Aurélio Garcia, que vale a pena reproduzir:

O absurdo não é ele ter entrado (no país), mas ter saído de pijama e com uma metralhadora na cabeça”.

hands-up


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