- 20 / 08
- 2009
E a novela entre Dilma e Lina continua
Ontem, dia 19 e hoje dia 20 de agosto, o Globo continua publicando lances do disse-me-disse entre a Ministra Dilma Rousseff e a ex-Secretaria da Receita Federal, Lina Vieira, com o intuito de enaltecer a postura da ex-Secretária e criticar a Ministra, dando a entender que ela é uma mentirosa.
Essa manobra jornalística que, infelizmente, não é evidente para a maioria é para encobrir uma verdade, que a grande mídia faz questão de ignorar: Se, efetivamente, a ministra teria pedido à ex-secretária para agilizar os processos de fiscalização sobre as empresas da família Sarney, por que a ex-secretária não divulgou o suposto pedido da ministra enquanto ainda se encontrava no exercício do cargo? Por que só resolveu relatar o episódio depois que foi exonerada?
A imprensa procura a todo custo minimizar uma atitude que foi, no mínimo, deselegante, porque, se o indivíduo, ao ser exonerado do cargo de confiança, sai atirando contra quem o nomeou, isso demonstra que o indivíduo em questão não tinha perfil para ocupar tal cargo, ou para desfrutar da confiança de quem quer que seja.
Faça-se a seguinte pergunta: Você empregaria novamente alguém que saiu de sua empresa, ou de sua casa, falando mal de você, ou cometendo indiscrições? Pois foi o que a ex-secretaria fez e não adianta tapar o sol com a peneira.
Como se não bastasse, na edição de hoje, dia 20, um sociólogo publica uma matéria no Globo chamada “Um Conto de duas Subversivas”, novamente batendo na mesma tecla : diminuir Dilma para elevar a estatura moral da ex-secretária.
Começa o ilustre sociólogo dizendo que “Ministra evidenciou persistência de um desvio de princípio“, porque confessou ter mentido sob tortura para proteger companheiros.
Disso se valeu o sociólogo para afirmar que “justificar uma mentira pela sua utilidade política é abrir uma senda perigosa, que desconhece a fronteira entre a ditadura ea democracia“. A partir desse sofisma, o sociólogo conclui que, sob uma lógica utilitaria, Lula poderá um dia dizer que alegou nada saber a respeito do mensalão, a fim de preservar um governo devotado em salvar o povo da elite.
Ao que me parece mentira utilitaria é aquela que o corretor conta para justificar uma venda de um imóvel por preço maior, e também aquela de que se valem os publicitários nas campanhas de lançamento de determinados produtos, apregoados como se fossem grandes maravilhas. Nada a ver com a situação da pessoa submetida à tortura que mente para preservar um bem maior, que é a sua própria vida e a vida de seus companheiros.
Escrito por Lúcia Reis, Pente Fino é um blog destinado a investigar as notícias. 









